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Archive for the ‘politica industrial’ Category

Que venham os imigrantes.

July 5th, 2009 2 comments

Já comentei aqui anteriormente sobre a preocupação dos EUA na sua capacidade de retenção de talentos. Antes um bom percentual dos melhores cérebros do mundo iam para os EUA fazer cursos de pós graduação e posteriormente 80% destes ficavam por lá, GERANDO RIQUEZA LÁ.

Neste texto “America’s Secret Innovation Weapon: Immigration” o autor tem uma lógica extremamente simples para incentivar a imigração. Considerando que os físicos das 25 melhores universidades nos EUA estão dev 3 a 4 desvios padrões em inteligência acima da média (use o critério que quiser, SAT , QI etc), estamos falando de pessoas que ocorrem na proporção de 1/5.000 ou 1/10.000 em relação a população.

Então os EUA tem na sua população nativa algo em torno de 60.000 pessoas com estas características, porém no mundo existem algo em torno de 1.28 milhões.  Não criar mecanismos para atrair estas 1,28 milhões é no mínimo burrice. Não se esqueçam: É UMA BRIGA POR CÉREBROS.

E estas pessoas não irão concorrer com os empregos tradicionais. Elas estão imigrando atrás de uma categoria de empregos que não existe no local de origem delas. O desafio é criar no local de destino [brasil? bahia?] este tipo de emprego que normalmente vem atrelado a muita riqueza.

Caso umas 10.000 destas pessoas queiram vir ao meu estado, eu não estou preocupado em perder o meu emprego. Eu estarei mais preocupado em me alinhar com as oportunidades que irão aparecer com tamanho fluxo de capacidade. Não é mais do mesmo é algo NOVO.

Power to the people – Shanzai

February 27th, 2009 No comments

Uma vez escrevi um texto chamado Power to the people (aqui). Nele comento a queda no valor dos meios de produção, permitindo uma nova classe de trabalhadores criativos.

Vi hoje no blog do Bunnie (já comentei dele antes aqui em uma coluna para o Forum PC´s) uma matéria sobre um movimento na China chamado Shanzai. Eles são rebeldes, individualistas, underground e auto-empregados. São eles que fazem estes celulares com dois sim-cards, celular com TV, cópias de iPhone etc etc etc. Grupos de algumas dezenas até algumas centenas. Alguns altamente especializados em pontos específicos da cadeia de produção. Um grupo de 250 produz 200.000 celulares/mês com um grande mix na produção (Toyota rulez)

Leia a matéria, eu sempre me perguntei a origem destes eletrônicos sui generis que vemos em locais como Santa Ifigenia, 25 de Março, Feiraguai etc. A parte mais importante e interessante da matéria é:

“I always had a theory that at some point, the amount of knowledge and the scale of the markets in the area would reach a critical mass where the Chinese would stop being simply workers or copiers, and would take control of their own destiny and become creators and ultimately innovation leaders.”

A china alcançou uma massa crítica de conhecimento, acesso a meios de produção, oferta de mão de obra, conhecimento e matéria prima que permite iniciativas como esta. Se o caldo de cultura estiver correto, o próximo silicon valley pode aparecer lá.

Leia o posto do Bunnie em  Tech Trend: Shanzai. Leia os comentários, veja a discussão de Bunnie com outras pessoas sobre o modo de produção (fábrica no andar superior, loja no térreo), custos de produção etc.

Veja mais ChinaTology, parece que a Wired vai sair com uma matéria sobre o assunto.

Falhas de mercado e o financiamento a invenção (inovação)

August 3rd, 2008 No comments

Eu sempre me surpreendo com alguns documentos que eu encontro nos EUA tratando de politica pública em ciência, tecnologia e inovação. “Economic Welfare And The Allocation of Resources For Invention” do Kenneth Arrow da RAND Corporation, tratava em 1958 do financiamento a invenção.

Ele em primeiro lugar define invenção como um processo de produção de informação. Com esta definição ele divide o problema em dois:

  • A análise do risco do processo de produção da informação (sucesso ou não);
  • As características econômicas do bem “informação”.

O processo de produção de informação é extremamente arriscado. Qualquer companhia vai tentar mitigar o risco. Uma forma de você eliminar um risco é comprar um seguro. Como ninguem financia seguro para  insucesso de pesquisa e desenvolvimento, as empresas não podem se defender deste risco, logo os gestores vão alocar recursos não ótimos ao processo de inovação. Trazendo para a nossa realidade que você tem um ativo para investimento sem risco  com retorno de 13% ao ano (dobra o capital em cada 5/6 anos), quem vai investir em algo tão incerto como inovação?

O produto da inovação é informação. Como se apropriar da informação de forma que você possa comercializá-la? Patentes, copyright etc. Neste ponto o autor discute vários aspectos interessantes sobre a informação que hoje é corrente na discussão de patentes ou software livre. O autor fala que do ponto de vista econômico a melhor decisão é distribuir a informação gratuitamente, pois o custo de distribuição marginal é zero (gente, ele falou isso no meio da guerra fria, nos estados unidos, isso é quase comunismo :) ). Ele discute o problema de como remunerar a pessoa que correu o risco na descoberta desta informação. Ele discute que possivelmente o único meio do detentor da informação manter propriedade é mantê-la em segredo e usá-la em um processo fabril dentro da própria organização ( se eu descrevo em uma patente, eu dou a pista de como chegar lá… ). Discute a indivisibilidade da informação e por causa disso como medir a contribuição dos outros na criação deste novo pedaço de informação “standing on the shoulder of giants“. Todos os argumentos normalmente usados pelo pessoal de open source, contra as patentes etc etc etc está lá. (e todos a favor também… o cara me parece ser honesto intelectualmente… sem muitos dogmas…)

De posse destes dois elementos ele conclui que o setor privado nunca vai alocar parcelas ótimas de capital no financiamento da inovação e parte para discutir como o setor público pode alocar recursos. O processo de financiamento da inovação com base em custo, financiamento da indústria militar americana etc etc etc também esta lá.

Sempre me surpreendo com a qualidade deste tipo de documento na formulação da política pública americana. Recentemente achei este blog. É do diretor do comitê do orçamento do congresso americano. Ele descreve a audiência sobre o orçamento de saúde nos EUA. E destaca o seguinte:

A growing body of research on behavioral economics suggests that, in addition to financial incentives, norms and default options can exert a strong influence on individuals’ choices. Such findings could inform efforts to improve efficiency in the health sector.

  1. Quantas vezes você já ouviu falar que uma comissão do senado brasileiro ouviu alguem para tomar alguma decisão relevante? E que este depoimento estava público?
  2. Quantas vezes você já viu nestes depoimentos alguem mencionar uma têndencia de pesquisa acadêmica para subsidiar uma decisão de politica pública?

Nunca? Nem eu.

Bola pra frente…

Não vamos colocar o carro na frente dos bois…

February 12th, 2008 1 comment

Matéria da The Economist citando um estudo do Banco Mundial.

“The World Bank’s researchers looked at 28 examples of new technologies that achieved a market penetration of at least 5% in the developed world, and found that 23 of them went on to manage a penetration of over 50%. Once early adopters latch onto something new and useful, in other words, the rest of the population can quickly follow. The researchers then considered 67 new technologies that had achieved a 5% penetration in the developing world, and found that only six of them went on to reach 50%. That suggests that although new technologies are often adopted by a small minority of people in poor countries, they then fail to achieve widespread diffusion, so their benefits do not become more generally available.”

Ou seja,  para a maior parte dos casos, é mais importante colocar professor bom dentro da sala de aula do que computador na mão de aluno. É mais importante chegar agua potável do que internet sem fio etc. O uso de novas tecnologias depende da instalação de infra estrutura antes.

O poder do telefone celular para combater a pobreza

February 1st, 2008 1 comment

Tem dois anos que um amigo indicou-me uma conferência nos EUA chamada TED. Depois deste dia tive uma oportunidade única de assistir excelentes palestras. Eu tenho outra sorte. Eu tenho amigos (Roberto Pinho – As Coisas) que inventam umas idéias malucas e eu topo. Traduzir alguns vídeos do TED. São vídeos que consideramos que devem ser vistos aqui no Brasil. Que injetam novas idéias e fazem a gente refletir.

O vídeo não está perfeito, vcs vão dar risada de alguns trechos, mas a idéia principal está clara. Quem quiser ajudar pode colaborar de duas formas. Se achar relevante, ajude a espalhar a mensagem do vídeo. Se achar um vídeo do TED que você ache importante, ajude a traduzi-lo. O primeiro que a gente traduziu foi o do Iqbal Qadir:

“O poder do telefone celular para combater a pobreza”

Qual a razão da pobreza continuar existindo apesar das décadas de ajuda internacional? Nesta palestra, Iqbal Qadir explica: “esta ajuda internacional causa danos, pois amplia o poder das autoridades no lugar do povo” e advoca uma nova abordagem para desenvolvimento: “do povo para o povo”. Sua própria experiência como uma criança em Bangladesh e depois como um banqueiro em New York levou-o a realizar que “conectividade é produtividade” — e que um simples telefone celular tem um enorme poder. Hoje sua companhia de telefonia celular, GrameenPhone, oferece serviço para a maior parte da Bangladesh rural, criando novas oportunidades conectando vilas ao mundo.

Original em http://www.ted.com/index.php/talks/view/id/79

Paper Engenheiros x Advogados

January 28th, 2008 1 comment

Em resumo. Uma sociedade com mais engenheiros organiza melhor a produção, cresce mais e é mais rica do que uma de advogados. Veja o Brasil, tem mais faculdade de direito ou engenharia?

“The Allocation of Talent: Implications for Growth,” Murphy, Kevin M & Shleifer, Andrei & Vishny, Robert W, 1991. The Quarterly Journal of Economics, MIT Press, vol. 106(2), pages 503-30, May.

“A country’s most talented people typically organize production by others, so they can spread their ability advantage over a larger scale. When the start firms, they innovate and foster growth, but when they become rent seekers, they only redistribute wealth and reduce growth. Occupational choice depends on returns to ability and to scale in each sector, on market size, and on compensation contracts. In most countries, rent seeking rewards talent more than entrepreneurship does, leading to stagnation. Our evidence shows that countries with a higher proportion of engineering college majors grows faster; whereas countries with a higher proportion of law concentrators grows more slowly. Copyright 1991, the President and Fellows of Harvard College and the Massachusetts Institute of Technology.”

http://ideas.repec.org/a/tpr/qjecon/v106y1991i2p503-30.html

A história secreta do Silicon Valley

January 19th, 2008 No comments

Vídeo da série Google Talks que demonstra a relação entre Silicon Valley e a indústria de defesa, desde o esforço científico da segunda guerra mundial.

 http://youtube.com/watch?v=hFSPHfZQpIQ

A maior inclusão digital

November 12th, 2007 No comments

A maior inclusão digital que está ocorrendo no país, não é via ministérios ou grandes politícas públicas específicas. É simplesmente a explosão de lan-houses na periferia. Em Sussuarana tem em torno de 20 lan houses, que atuam de forma exclusivamente privada, segundo esta matéria do jornal A Tarde.

Uma dica para o Governo? Monte neste cavalo selado, entenda o modelo de negócios deles, desonere quem tiver este tipo de iniciativa e veja este modelo explodir. Veja o que aconteceu com a indústria de PC´s quando foi desonerada.

Etanol Celulósico

November 6th, 2007 No comments

Já comentei anteriormente, a vantagem competitiva do Brasil em relação ao etanol pode ser dizimada se conseguirem um processo eficiente para etanol celulósico.

O Vinod Khosla, investidor americano divulgou hoje que uma das suas empresas investidas está construindo a primeira planta de produção comercial de etanol celulósico. O jogo neste caso é o processo mais as enzimas utilizadas para conversão da celulose em alcool. Caso a gente domine, poderemos extrair alcool da cana e do bagaço dela. Caso contrário, talvez eles consigam metódos mais eficientes de produção de alcool e para a gente continuar no jogo deveremos importar esta tecnologia, exportando em forma de $$$ o nosso antigo diferencial competitivo.

Categories: politica industrial, tech

Dirceu entrevista Delfim

October 11th, 2007 1 comment

Não gosto do Dirceu, mas esta entrevista dele com o Delfim está excelente. Recomendo a todos a leitura.

Chávez é resultado da urna, provocado ela cleptocracia que se apoderou da Venezuela

“O capitalismo é muito compatível com a liberdade, mas não é compatível com a igualdade. E o homem, quando se transformou em homo sapiens, teve introduzido no seu DNA um desejo de igualdade. O que torna a economia de mercado moral, para ser aceita, é que reestabeleça certa igualdade de oportunidades.”

Nós temos que voltar a ênfase ao desenvolvimento industrial”

Essa idéia que circula de que o paradigma do Brasil hoje é o Chile, a Austrália, a Nova Zelândia, é um negócio maluco. A Austrália vai ter 25 milhões de habitantes, o Chile 20 milhões e a Nova Zelândia cinco milhões, menor do que a Favela do Alemão. Nós temos que voltar de verdade a ênfase ao desenvolvimento industrial. ”

[José Dirceu] São os juros que atraem capital?

[Delfim Netto] Sim, combinado com a garantia de que você tem uma bruta reserva e não vai fazer bobagem.”

Tem como cortar despesas? Não tem. Nós sabemos que não tem”

A nossa Constituição, do ponto de vista dos direitos humanos está no estado da arte. Onde nós exageramos é que criamos uma sociedade de bem-estar sem recursos.”

[José Dirceu] Há um déficit na integração.

[Delfim Netto] Na verdade nós só reunimos pobres e não tem economia para isso. A desproporção do Brasil é monstruosa. Eu gosto do Mercosul, esse processo de integração tem fundamento, mas podia ser uma zona de livre comércio. “