“O senhor, aliás, afirma que os grandes problemas do Brasil são fruto de uma crise ética.
Esse é um problema muito complicado porque tem raízes estruturais e circunstâncias ocasionadoras de um agravamento ou, o contrário, de uma melhora. O problema da crise ética tem muito a ver com cultura. Os países de cultura católica têm tendência à crise ética. Os países de cultura protestante têm tendência a uma afirmação ética mais nítida, porque o protestantismo é uma opção ética, e não ideológica, e o catolicismo é uma opção ideológica, e não ética. Aí entra uma formação de base que será permanente; católico ou não na prática, o Brasil será sempre católico na cultura e nessa medida haverá sempre um problema ético, que é típico das culturas católicas. Situações como o descrédito do Congresso e dos políticos não podem ser modificadas por gritas da opinião pública, mas apenas pela reforma do processo político. Nós tivemos capacidade de formar uma competente elite empresarial, uma razoável elite cultural e não tivemos capacidade de formar uma boa elite política. Então há uma falha no processo brasileiro, que é o fato de que a política não está mobilizando pessoas adequadas, mas sim oportunistas.”
Se você gosta de ciência assine a Revista FAPESP. Melhor relação custo benefício que eu conheço. Veja o resto da entrevista que você lê na integra aqui.
Nunca (que eu me lembre) costumo copiar integralmente posts ou textos de outros sites, mas neste caso estou fazendo uma exceção, pois gostaria que este texto tivesse a maior divulgação possível. O original está no site do Clemente Nóbrega aqui:
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Li que o Senado Federal tem 10 mil funcionários para 81 senadores (será que li direito,gente?).
Soube também que contrataram a FGV para fazer propostas para a reorganização “da casa”. Hmmmm, estou sentindo aquele cheiro no ar de novo…..
Há situações em gestão (como na vida) em que não é preciso técnica nem conhecimento, basta água e sabão. Se você não toma banho, não corta as unhas, não usa desodorante, não admira que as pessoas fujam de você. É falta de higiene,cara!
Este blog tem opinião.
Dez mil funcionários para 81 senadores? O problema do Senado da República é falta de higiene. Água e sabão. Chega de análises! Não precisa consultoria! Vão tomar banho!
Ainda no espírito dos dois últimos posts: a grande inovação brasileira , para mim, seria o desmantelamento da mentalidade soma zero que impera no “tecido” do país. Lembrem-se, há contextos em que não se consegue não ser corrupto, mesmo que não se queira ser corrupto. NÃO DEPENDE SÓ DE SUA OPÇÃO COMO INDIVÍDUO, DEPENDE DO CONTEXTO EM QUE VOCÊ ESTÁ TAMBÉM
Esta, para mim, é a tragédia brasileira.
Mudar essa mentalidade (que gente culta chama de “patrimonialista”, mas que eu, ignorante das sutilezas sociológicas, chamo de “vagabunda” mesmo) exige um tipo de líder que não existe no Brasil. E não existe porque quem “chega lá” politicamente, tem que se comprometer com o “mau cheiro” se não , não fica lá.
Ser popular não tem nada a ver com ser líder.
O tipo de liderança de que precisamos não será popular. Só pode ser exercida por uma geração de líderes que não tenha como prioridade a permanência no poder a qualquer custo. A proposta delas teria de ser o equivalente brasileiro ao “sangue, suor e lágrimas” de Winston Churchill.
Reformar os sistemas jurídico e político do Brasil é mais importante para a inovação brasileira do que políticas de “investimentos em inovação”. Essas “coisinhas” produziriam mais efeito do que todo o pré sal, do que todos os investimentos em “tecnologia” que possamos fazer, porque atuariam diretamente no coração do problema: nosso enorme deficit da noção de confiança, o que se reflete na ausência de um destino compartilhado, o que leva tanto as elites como as massas a serem soma zero.
A relação de causa e efeito entre confiança e riqueza não é perfeita (pois confiança não é o único fator que determina os níveis de cooperação de um país) mas, cá pra nós, você não acha que já temos pistas suficientes para explicar nossa incompetência em inovar, não?
Richard Szeliski da Microsoft Research está escrevendo um livro sobre visão computacional. O cara é uma das principais cabeças por trás do PhotoSynth e do RoundTable. No meu MsC um dos principais papers da bibliografia é dele. Vai lançar um livro e você pode pegar o draft (e mandar sugestões) aqui.
Este Bunnie sempre me surpreende. Agora ele me veio com um post explicando um pouco de biologia molecular (em termos de computação) e explicando como funciona o H1N1 (você sabia que o virus que ataca o trato respiratório superior nos humanos ataca o estômago das aves?). Ele também explica como o virus mudando dois bits se tornaria MUITO mais letal etc etc etc.
Vale a leitura: http://www.bunniestudios.com/blog/?p=353
Eu não coloco normalmente vídeos do YouTube, logo… ASSISTAM!
Li esta semana dois posts no blog Zeros e uns que foram os melhores posts do blog. Acho o Zeros e uns bom de ser lido, mas muito mainstream. Com as conexões deles no mercado nacional, poderiam trazer coisas quentes no blog e um lado B do mundo de high tech brasileiro.
O Zeebo é um console da TecToy. O Reinaldo Normand (pai do Zeebo) teve uma idéia. Um console sem mídias físicas, sem pirataria, com os jogos por download via rede 3G. A história dele de jornalista para gerente de produto já é fantástica. Patentearam, conversaram com Intel, NVidia, Sun e com a Qualcomm. Qualcomm topou, colocou 4 milhões de dólares no projeto e a TecToy colocou a patente e 200 mil dólares. Estava criada a nova empresa. Zeebo Inc.
Estão pensando grande. Querem fazer um console para o próximo bilhão de pessoas. Para quem não pode comprar um XBOX ou um PS3. Estão colocando as empresas de telefonia celular no jogo. Mercados emergentes. Modelo de negócio para venda de jogos sem pirataria. Querem envolver universidades brasileiras na cadeia de valor.
Meus mais sinceros parabéns a ousadia destes caras. Não ao me too. Quero que esta iniciativa tenha sucesso. Eles podem quebrar a cara, mas isso é do jogo, o caminho deles já é louvável.
Vejam aqui os posts:
Estamos lendo todo dia notícias de demissão nos EUA e Europa. Dentro destes demitidos se encontram pessoas altamente capacitadas muitas delas com mestrado/doutorado e capacidade real de pesquisa e inovação. Além disso elas tem network e conhecimento dos mercados e práticas internacionais.
O ponto é: como usar este momento como oportunidade para repatriar ou importar cérebros? O que o governo, órgãos empresariais estao fazendo para isso? Isso não é estratégico?
Acho que é um bom tema para debate. Boa parte do desenvolvimento científico industrial dos eua pós segunda grande guerra ocorreu pela importação de cérebros (projeto apollo, o proprio manhattan etc). Da mesma forma parte do boom de israel na area de high tech aconteceu por causa dos judeus russo provenientes depois da queda do muro de berlin.
Os americanos estão preocupados com isso. Olhem este texto que apareceu na Social Science Research Network [America's Loss is the World's Gain: America's New Immigrant Entrepreneurs, Part 4], este texto falando que os estudantes da índia e china estão ao final dos seus estudos de doutorado e mestrado voltando para o país de origem [A reverse brain drain] ou este post comentando sobre o mesmo assunto com o fato que empresas fundadas por estrangeiros empregaram 450.000 pessoas e geraram U$ 52 bilhões de dólares em faturamento [Genius Need Not Apply; We’ll Take the American Guy Instead].
E não precisa ir muito longe. Qual a origem dos primeiros professores do ITA? Como o ITA foi formado? Vejam aqui uma história interessante chamada “É preciso botar estes estrangeiros no seu lugar”. As universidades federais vão abrir milhares de vagas para professores, vai ter oferta suficiente no Brasil para isso? Não seria melhor aceitar na banca professores falando outras linguas? Português é uma lingua complicada, mas eu acho que este pessoal tem capacidade de aprender.
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Mais um texto sobre o assunto: Knowledge Economy Migration Policy
They were all discovered by mistake