Sobre Salvador (por Fredie Didier Jr.)

December 9th, 2011 No comments

(este texto abaixo não é meu, mas concordo com ele 100%. O autor é Fredie Didier Jr.)

 

Ouvi de um guia grego que o legado histórico da Grécia não são seus monumentos, que são poucos, mas, sim, as suas ideias. Na Grécia, os monumentos que existem representam ideias que já existiam. Os anfiteatros gregos foram construídos para servir ao teatro que já se praticava – o teatro precedeu o anfiteatro. As ideias, disse-me, devem preceder os monumentos.
Lembrei-me de monumentais estádios de futebol sendo construídos em cidades que não possuem futebol profissional; belas e imensas esculturas de mármore representando canalhas etc. Monumentos que precedem ideias. Lembrei-me, ainda, de episódio de “O Bem Amado”: Odorico Paraguaçu inaugurando o cemitério, a maior obra de sua gestão, o seu mais grandioso monumento, construído em uma cidade em que ninguém morria.
Lembrei-me da minha cidade, com tristeza e melancolia. Salvador não passa por um bom momento histórico.
Não falo da crise em sua monumentalidade: Pelourinho abandonado, metrô inacabado, ruas sujas. Embora grave, este tipo de problema é de solução mais fácil.
Não me refiro, igualmente, à violência que nos assola. A violência impressiona, mas não destoa do que acontece em outras metrópoles.
Falo de outra espécie de crise, mais profunda e de efeitos mais deletérios. Salvador está em crise existencial.
Salvador foi, entre as décadas de 40 e 60 do século passado, um dos dois maiores polos culturais do Brasil. Caracterizava-se por uma efervescência criativa impressionante. Edgard Santos, na UFBA, era o grande timoneiro, trazendo à Bahia figuras como Agostinho da Silva, Eros Martim Gonçalves, Lina Bo Bardi, Ernst Widmer, Hans Koellreutter, Lia Robato e Yanka Rudzka. Em um mesmo local e uma mesma época, Diógenes Rebouças, Walter da Silveira, Carybé, Jorge Amado, Pierre Verger, Mário Cravo, Floriano Teixeira e Pancetti podiam ser vistos caminhando pela cidade. Machado Neto, jurista inigualável, assombrava; Milton Santos já mostrava o talento de quem se tornaria um dos maiores geógrafos do mundo. Para não falar da Ângulos, na Faculdade de Direito.
Não por acaso, logo apareceriam a Tropicália e o Cinema Novo. A primeira, com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Rogério Duarte e Capinan, no final da década de 1960, um movimento cultural vanguardista essencialmente baiano; o segundo, com Glauber Rocha, entre o final dos 50 e o início dos 60, que teve em Salvador um dos seus centros de influência. Isso sem falar de Maria Bethânia cantando Carcará e de João Ubaldo Ribeiro iniciando sua vida profissional. Não faltavam ideias, não faltava ousadia, não faltava gente. Era a “vanguarda na Bahia” (Antônio Risério).
Mas, de alguns anos para cá, Salvador parece que perdeu o viço. A cidade, que “começou a existir para que o Brasil existisse” (Antônio Risério), apequenou-se.
O que marca Salvador atualmente? Quais as nossas ideias? Qual a nossa contribuição? De que modo interferimos no Brasil e no mundo?
Temos de retomar a nossa caminhada e refundar a cidade. Dar início a uma espécie de Renascença soteropolitana. Construir uma Recidade, como talvez dissesse Gilberto Gil.
É preciso fazer com que competência, criatividade, ousadia, inventividade, esmero, beleza, talento e dever sejam considerados valores indispensáveis ao desenvolvimento da cidade.
É preciso que o rigor não seja interpretado como tirania, o refinamento, boçalidade, e a inteligência, um insulto. Êxito, sucesso, prestígio não podem ser motivo de anátema. Temos de reconstruir a semântica da nossa convivência, para que ambição e vaidade sirvam para compor frases sem teor pejorativo. É preciso resgatar a ambição pela excelência e a vaidade do fazer bem feito.
Quem sabe, assim, “a seta” da cidade “acerta o caminho e chega lá”, como diz Caetano. Nessa canção, Caetano dirige-se à cidade e pede a ela que insista no que é lindo e, então, “o mundo verá tu voltares rindo ao lugar que é teu no globo azul, Rainha do atlântico sul”.
Salvador merece que façamos tudo isso por ela e a gente merece voltar a sentir orgulho da nossa cidade.

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Zetks / Azure

August 2nd, 2011 1 comment
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Genome Startup

May 29th, 2011 No comments

Imagine uma iniciativa que tenha o objetivo de transformar empreendedorismo em ciência.

Que o líder desta iniciativa tenha este objetivo pela simples razão de ter sempre perseguido as grandes tendências, envolvido no Institute for the Future e na Singularity University. Ele também é membro da Sandbox Network.

Que ele tenha chegado a conclusão que o problema do mundo não é pobreza ou qualquer outra doença. O problema é não termos gente suficiente trabalhando nestes problemas e que a forma mais correta de corrigir isso seria escalar o empreendedorimo, transformando-o em processo com ferramentas e um corpo de conhecimento.

Imagine que o líder desta iniciativa chamada Genome Startup é Max Marmer e que ele tem  18 anos de idade. Veja o site e o paper de 50 páginas com as primeiras conclusões dos estudos dele e de sua equipe.

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Excelente palestra sobre sociologia / empatia em um TEDx

May 15th, 2011 No comments
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Para ver a palestra com legendas (ainda não tem em pt-br)

http://www.ted.com/talks/lang/eng/sam_richards_a_radical_experiment_in_empathy.html

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Berimbo (robô tocardor de berimbau) no Hack a Day

April 3rd, 2011 No comments

O Berimbo do Bilab foi destaque no Hack a Day.

Dá uma olhada aqui

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Entrevista ao Olhar Digital

February 8th, 2011 6 comments

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Carro / Onibus / Bicicleta

July 3rd, 2010 1 comment

Acho que não precisa desenhar. Com esta imagem do departamento de transporte de Munich fica clara a razão que a solução para transporte de massa nas cidades não é construir mais viaduto, alargar ruas ou mais avenidas. É tirar todo mundo dos seus transportes privados e colocar em transporte público de massa (ou bicicletas). Tem que tornar o uso do transporte privado ineficiente do ponto de vista econômico (rodízio, pedágio urbano, IPVA mais caro etc) e atacar de forma séria o transporte de massa (O metrô de SSA é exatamente como este assunto não deve ser tratado)

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Na Internet do Brasil

June 15th, 2010 No comments

Durante o jogo do Brasil e Coréia do Norte era meia noite. Veja o detalhe no gráfico do intervalo.

fonte do gráfico: ptt.br

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Calma que estou voltando….

June 12th, 2010 No comments

Enquanto isso algumas recomendações:

Esta fala, lúcida, do Moreira Salles na Academia Brasileira de Ciências: Arte, Ciência e Desenvolvimento

“Alguns desses jovens sem orientação provavelmente terão inclinação para as ciências e ainda não descobriram. É preciso criar mecanismos que os ajudem a escolher o caminho certo. Infelizmente, as artes e as humanidades, pelo menos por enquanto, não colaboram muito. Ao contrário. Nós disputamos esses jovens e, infelizmente, até aqui estamos ganhando a guerra.”

Quer ler um livro sobre User Experience / User Interface? About Face 3: The Essentials of Interaction Design do Alan Cooper. A máxima do livro que estou usando estes dias é: audit, don´t edit.

Quer ler um livro sobre design? design de sistemas? sistemas como software, casas, livros, aviões etc? The Design of Design: Essays from a Computer Scientist do Brooks (the mythical man month hall of fame) – veja também o site do livro

Abs, depois volto.

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Morreu José Mindlin

March 1st, 2010 No comments

E com ele parte de uma história do ITA, sim do ITA. Quando o Marechal Montenegro estava montando o ITA a burocracia brasileira estava impedindo o pagamento dos vencimentos do Sr Richard Smith, ex-chefe do Departamento de Aeronáutica do MIT (Massachussets Institute of Technology) e que veio montar o ITA. O principal professor e peça chave do projeto iria ficar sem vencimentos. Com o Sr. Smith sem vencimentos como convidar outros professores? Quem iria embarcar naquela aventura? Neste momento o Marechal Montenegro (depois de dizer algo como “Se o Smith ficar sem salário pela falta do cartão de vacinação da mãe dele, este projeto vai estar perdido”) pediu que o José Midlin, naquela época empresário de sucesso com a Metal Leve, depositasse os vencimentos do professor. O que foi feito.

Descanse em paz Sr. José Mindlin. Este não veio a vida a passeio.

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