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Apple ataca novamente – Apple SIM

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Pequeno detalhe que passou despercebido no lançamento do iPad Air 2. O Apple SIM. Veja ao lado. Na hora que você liga o seu ipad, não precisa mais colocar um SIM de um operador de celular. Você escolhe um operador a partir de uma lista no seu próprio aparelho. No lançamento nos EUA aparecem três operadores. AT&T, Sprint e T-Mobile.

Se você viaja, chegando no local de destino, você abre o seu iPad e escolhe um novo operador.

Qual é o próximo passo? No Brasil a gente já tem portabilidade de número de celular, isso acontece em outros pontos do mundo. Imagine que a Apple crie uma MVNO (Mobile Virtual Network Operator) que o número de celular é vinculado a Apple e não a sua operadora.

Neste ponto a Apple tornou commodity a operadora de celular, a única coisa que o impedia de trocar de celular (a chatice de fazer portabilidade) já foi resolvido. Você está dissociando a sua identidade (# de celular) do tráfego de voz e dados. Não gostou de uma operadora, vai no menu do seu iPad / iPhone e troca por outra. Talvez a conta seja inclusa no seu próprio iTunes.

Não se esqueçam. Steve Jobs chamou operadoras de telefonia de orifices.

 

 

Qual deve ser o futuro do Ginga?

Na minha empresa de ticketing recentemente fizemos uma experiência de desenvolver alguns protótipos funcionais para venda de ingressos na TV Digital. As plataformas escolhidas foram a Ginga ( https://en.wikipedia.org/wiki/Ginga_(middleware) ) e HTML5 + Javascript (que estava começando a ser embarcado nas TVs na época em que iniciamos o projeto).

Em primeiro lugar, este post é para debate: o que vou escrever aqui é a minha visão – limitada – sobre o assunto.

Depois de alguns meses eu me pergunto para que lado vai o Ginga. Ao mesmo tempo em que uma equipe de duas pessoas trabalhava para entregar um protótipo com funcionalidades mínimas, um engenheiro de frontend na plataforma HTML5 fez 2 protótipos (LG e Samsung) e revisou um destes protótipos para ficar compatível com as duas TVs (algo semelhante ao mundo Chrome x Firefox x Safari x Internet Explorer). Se eu quiser modificar a aplicação Ginga, eu sei que vai ser um parto. O ambiente de desenvolvimento e o SDK não ajudam. Se eu pedir para modificar o HTML5, uso toda a infraestrutura atual de frameworks para web (ferramentas e bibliotecas)

Se eu quiser publicar minha aplicação, tenho um marketplace da LG ( http://br.lgappstv.com/appspc/main/main/main.lge?lang=por_BR ) e outro da Samsung ( http://www.samsung.com/uk/tvapps/ ). Se eu quiser publicar minha app Ginga, qual o marketplace que eu coloco? Existe mais um ponto: se eu desenvolvo uma app para a TV nas plataformas mundiais, terei um mercado potencial mundial; mas se eu desenvolver para o Ginga ficarei somente com o Brasil.

E olhando o cenário mundial ele tende a ficar mais competitivo e complicado. Uma pequena amostra do que está ocorrendo:

O mercado não está escolhendo o Ginga. Este é o fato.

O que devemos pensar é se esta iniciativa – o Ginga – ainda faz sentido e como adaptá-la aos tempos atuais. Não adianta olharmos números de devices com o Ginga instalado se absolutamente ninguém usa. Devemos olhar alguma métrica de adoção. O percentual de tablets Androids não corresponde ao tráfego que eles geram. As pessoas compram tablets Android e ninguém sabe onde são usados, pois majoritariamente o tráfego que é observado nos sites vem de tablets Ipad.

Esta situação me faz lembrar de um paper recente do Marcos Lisboa e Zeina Latif, a que tive acesso via o blog do Mansueto Almeida.

Nele os autores discutem alguns itens que cabem neste debate (aproveitando a análise do Mansueto):

  1. No Brasil, há um número crescente de mecanismos (“políticas públicas”) que beneficiam grupos organizados específicos às custas da sociedade. Não se trata aqui de corrupção. Se trata de várias políticas de elevado retorno privado e custo social difuso.
  2. Um dos problemas da democracia brasileira é ainda a elevada falta de transparência e de “accountability”
  3. Como medir o benefício destas políticas públicas para a sociedade?

Então, com este cenário. Qual deve ser o futuro do Ginga? E utilizando o Ginga como exemplo, qual deve ser a abordagem no Brasil para avaliação de políticas públicas?

Neste caso específico acredito que o governo deva pensar como um Venture Capitalist. O mercado adotou a tecnologia? Funcionou? Ok, vamos em frente. Não funcionou? Mudou o contexto? Mata o projeto e vamos relocar o dinheiro em algo mais promissor ou em outra fronteira tecnológica.

Finalmente. Eu não sou contra terem desenvolvido o Ginga. Eu acho correto ter sido desenvolvido e tenho certeza que muita gente  de qualidade foi formada no processo, o meu questionamento é sobre o futuro da plataforma e se ainda vale a pena continuar investindo.

Controle é inútil. Software Engineering: Dead?

Tom DeMarco (Structured Analysis / Peopleware / IEEE Fellow hall of fame) publicou um texto na IEEE Software de Julho e Agosto (Software Engineering: An Idea Has Come and Gone?). No final? Ele se diz desconfortável com a frase “You can´t control what you can´t measure”. E coloca como contraponto softwares maravilhosos como GoogleEarth ou Wikipedia que foram criados sem muito controle.

Se eu fosse colocar em termos de ciência, lembre-mos de Popper. Precisamos de somente um contra-exemplo para derrubar uma teoria. Neste caso o próprio DeMarco nos dá dois bons exemplos contra a frase dele.

Controle é relativamente inútil, pois não é indústria e sim artesenato. Algumas coisas não podem ser simplesmente medidas (ele compara com a educação de um adolescente e não vamos nos esquecer desta outra discussão que tivemos neste blog – Balanced Scorecard, Métricas de Software, PNQ, ISO, CMM. Você acredita?).  No final ele acaba afirmando que software foi e sempre será experimental. E ele prescreve uma metodologia de desenvolvimento um tanto quanto parecido com as metodologias ágeis.

Sempre tive um pé atrás com o pessoal de Engenharia de Software in Asteroids. E sempre percebi que as pessoas que mais profetizavam esta Engenharia de Software era quem menos escrevia Software.

O Coding Horror faz um bom texto sobre o assunto.

Aulas de Richard Feynman

Richard Feynman foi um homem fantástico. Tudo que eu li sobre ele até hoje (comecei pelo “O senhor está brincando, Sr. Feynman“) o torna uma pessoa admirável.  Feynman trabalhou no projeto Manhattan aonde ele sempre sacaneava (este é o termo correto. uma das piadas dele era abrir os cofres, roubar alguns documentos secretos e escrever “adivinha quem…”) com o pessoal da segurança. Enquanto ele não estava trabalhando nos seus famosos diagramas (Path Integral Formulation), ajudando na eletrodinâmica quantica, trabalhando com superfluidos, ou avançando a física de partículas ele poderia estar:

Estas aulas ficaram tão famosas que viraram 3 livros (Feynman Lectures on Physics).  Em 1950 algumas destas aulas foram gravadas pela Universidade de Cornell. 20 anos atrás, Bill Gates estava de férias e assistiu uma destas aulas. Soube que todas tinham sido gravadas. Resolveu os problemas de direitos autorais, entregou para o pessoal da MS Research e disponibilizou todas gratuitamente.

Eu acho que a possibilidade de assistir aulas com os melhores professores do mundo vai revolucionar de forma definitiva a educação. Tenho um amigo que é um excelente professor de direito. Dá aula via satélite para o Brasil inteiro. Eu não acreditava em ensino desta forma até discutir a experiência com ele. Porquê (este porque do lado está correto? meu professor de português nunca conseguiu me chamar a atenção…) ter aula com um professor mediano se você pode ter acesso ao melhor?

Vejam as aulas do Feynman aqui. Thanks Gates.

Comentário de Ricardo Freire

Velhinho, aqui vai mais uma munição para essa sua cruzada pela educação de alto nível: este mesmo cabra ensinou no Rio por 3 anos (acho), nos anos 50. Sabe qual a impressão dele sobre os alunos brasileiros, então os melhores do Brasil (o Rio na época era o centro do conhecimento da física no Brasil)? O aluno brasileiro era “incapaz de pensar por si próprio”, tinha “vergonha de questionar”, se limitava a “anotar tudo que era dito em sala”. Resumindo, ele achava que estava pregando no deserto. Ele ficou PROFUNDAMENTE decepcionado com o baixo nível dos alunos do Brasil. Essas informações eu li há muito tempo num dos livros dele (tenho alguns). Seria interessante vc pesquisar isso e levar o tema adiante: HOJE A ACADEMIA ESTÁ MELHOR DO QUE NAQUELA ÉPOCA? SERÁ QUE APRENDEMOS A APRENDER?

Bahia no pódio da RoboCup

Pessoal do Bahia Robotics Team da UNEB ficou em 3o lugar na classificação geral da liga de demonstração Mixed Reality, na copa do mundo de futebol de robôs – RoboCup 2009 – em Graz, Áustria. Desde a sua criação em 1997 foi a PRIMEIRA vez que uma equipe brasileira vai para o pódio no ranking final de uma liga.

Veja detalhes aqui: http://www.acso.uneb.br/acso/index.php?n=Main.Noticia025

Parabéns ao pessoal!

Biologia molecular para cientistas da computação – Uma visão do H1N1

Este Bunnie sempre me surpreende. Agora ele me veio com um post explicando um pouco de biologia molecular (em termos de computação) e explicando como funciona o H1N1 (você sabia que o virus que ataca o trato respiratório superior nos humanos ataca o estômago das aves?). Ele também explica como o virus mudando dois bits se tornaria MUITO mais letal etc etc etc.

Vale a leitura: http://www.bunniestudios.com/blog/?p=353

Zeebo – Estou adorando…

Li esta semana dois posts no blog Zeros e uns que foram os melhores posts do blog. Acho o Zeros e uns bom de ser lido, mas muito mainstream. Com as conexões deles no mercado nacional, poderiam trazer coisas quentes no blog e um lado B do mundo de high tech brasileiro.

O Zeebo é um console da TecToy. O Reinaldo Normand (pai do Zeebo) teve uma idéia. Um console sem mídias físicas, sem pirataria, com os jogos por download via rede 3G. A história dele de jornalista para gerente de produto já é fantástica. Patentearam, conversaram com Intel, NVidia, Sun e com a Qualcomm. Qualcomm topou, colocou 4 milhões de dólares no projeto e a TecToy colocou a patente e 200 mil dólares. Estava criada a nova empresa. Zeebo Inc.

Estão pensando grande. Querem fazer um console para o próximo bilhão de pessoas. Para quem não pode comprar um XBOX ou um PS3. Estão colocando as empresas de telefonia celular no jogo. Mercados emergentes. Modelo de negócio para venda de jogos sem pirataria. Querem envolver universidades brasileiras na cadeia de valor.

Meus mais sinceros parabéns a ousadia destes caras. Não ao me too. Quero que esta iniciativa tenha sucesso. Eles podem quebrar a cara, mas isso é do jogo, o caminho deles já é louvável.

Vejam aqui os posts: