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Apple ataca novamente – Apple SIM

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Pequeno detalhe que passou despercebido no lançamento do iPad Air 2. O Apple SIM. Veja ao lado. Na hora que você liga o seu ipad, não precisa mais colocar um SIM de um operador de celular. Você escolhe um operador a partir de uma lista no seu próprio aparelho. No lançamento nos EUA aparecem três operadores. AT&T, Sprint e T-Mobile.

Se você viaja, chegando no local de destino, você abre o seu iPad e escolhe um novo operador.

Qual é o próximo passo? No Brasil a gente já tem portabilidade de número de celular, isso acontece em outros pontos do mundo. Imagine que a Apple crie uma MVNO (Mobile Virtual Network Operator) que o número de celular é vinculado a Apple e não a sua operadora.

Neste ponto a Apple tornou commodity a operadora de celular, a única coisa que o impedia de trocar de celular (a chatice de fazer portabilidade) já foi resolvido. Você está dissociando a sua identidade (# de celular) do tráfego de voz e dados. Não gostou de uma operadora, vai no menu do seu iPad / iPhone e troca por outra. Talvez a conta seja inclusa no seu próprio iTunes.

Não se esqueçam. Steve Jobs chamou operadoras de telefonia de orifices.

 

 

Sobre a tributação das sociedades uniprofissionais

Alguém pode me explicar qual a lógica de uma sociedade uniprofissional de advogados ser tributada por valores fixos? (ex:  1.713,84 para três advogados = 571,28/advogado/mês. ). O faturamento equivalente seria de 571,28/5% =  11.420,00. Quem está reclamando ganha mensalmente mais do que R$ 11.420,00. Qual a razão de uma sociedade uniprofissional de advogados ter este privilégio e um professor de pós graduação que é contratado via PJ não ter este benefício? Ou qualquer outro consultor? A lei não deveria ser igual para todos?

A minha única resposta para isso é lobby de um setor da sociedade muito organizado.

Na mesma linha, qual o benefício para a sociedade das concessionárias de automóveis pagarem 3% de ISS? Serviço de manutenção de automóvel não tem nenhuma concorrência externa. Nenhuma pessoa vai sair de SP para consertar o carro em Salvador por causa de uma diferença de 2% na fatura, então qual a lógica de beneficiar este setor?

 

Notas – Livro / Movimento Maker

Recentemente li o livro Makers do Chris Anderson o que me fez escrever este post.

O aparecimento de impressoras 3D, padronização no formato de arquivos 3D, colaboração no design via internet, comércio via internet, ferramentas gratuitas de modelagem 3D, novas formas de financiamento, makerspaces [hackerspaces] está permitindo uma nova geração de makers (fazedores) e uma nova geração de empresas de manufatura.  É a revolução que já aconteceu na indústria de impressão, música e vídeo chegando aos produtos físicos.

 

  • Empreendedor x Inventor – O inventor antes não tinha capacidade de produção do seu invento, isso está mudando.
  • Internet está popularizando as ferramantes de produção física
  • Popularização das ferramentas de produção
    • Impresso
    • Música
    • Vídeo
    • Produtos físicos
  • Produtos se tornam descrições eletrônicas, quem podem ser compartilhadas, melhoradas, enviadas para uma impressora 3D, máquina CNC ou uma fábrica. Existe uma linguagem única que descreve “G – Code”. Existem sites que compartilham coisas para serem fabricadas ( http://www.thingiverse.com/ http://www.123dapp.com/Gallery/ http://en.wikipedia.org/wiki/G-code). Existem ferramentas gratuitas que permitem a qualquer um projetar algo e produzir ( Autodesk, PTC, 3D Systems. O mesmo processo de melhoria colaborativa que existe nos produtos digitais está sendo transportado para produtos físicos.
  • Produtos físicos estão se descrições em arquivos digitais. Você pode desenhar um brinquedo e mandar via email para ser impresso em outro local.
  • “Hardware is becoming much more like software” – Eric Von Hippel – MIT
  • Nestes softwares, o botão de “Print” é substituído pelo botão de “Make”.
  • Automação vai aumentar é a única forma de competir em custo com mão de obra barata. O que muda é o acesso a novos meios de produção para pequenas manufaturas, com produtos focados e que pode escalar para complexos industriais completos.
  • A grande oportunidade é ser pequeno e global. Você pode fabricar e vender para qualquer local do mundo.
  • Mercado de massa para produtos de nicho. Produtos não precisam chegar a escala de milhões para se tornarem globais. Podem ser focados, vendidos via internet na casa de dezena de milhares.
  • Proliferação de makerspaces. Espaços de produção compartilhados (Techshop é um deles). Shangai está construindo uma centena deles (http://www.engadget.com/2011/11/12/shanghai-science-and-technology-commission-proposes-100-innovat/ ). Em NYC existem oito já em funcionamento. Um programa do DARPA quer levar 1000 destes espaços para as escolas americanas, aprender fazendo – http://blog.makezine.com/2012/04/04/makerspaces-in-education-and-darpa/http://blog.makezine.com/2012/01/19/darpa-mentor-award-to-bring-making-to-education/ – Na Inglaterra – http://www.fablabmanchester.org/ – Ver o projeto Fab Lab do MIT.
  • Etsy – Marketplace para venda de produtos manufaturados – 500 milhões de dólares em vendas em 2011.
  • KickStarter – Site de crowdfunding. O empreendedor publica um projeto com um objetivo de arrecadação e um valor do produto. Se o objetivo é alcançado em 30 dias o valor é debitado do cartão do cliente e transferido ao empreendedor. Resolve três problemas para os empreendedores:
    • Financia a produção
    • Transforma os clientes em uma comunidade. Comprando no KickStarter você está apostando em um projeto e a maioria das pessoas publicam este fato no timeline do twitter / facebook. Estas pessoas colaboram efetivamente no projeto avaliando, divulgando etc.
    • Pesquisa de mercado – cada projeto tem um objetivo de arrecadação. Se não alcança este objetivo o projeto não é executado.
  • O Reilly, editora tradicional na captura de tendências tecnológicas, publica uma revista (Make) desde 2005, faz uma feira em San Mateo com mais de 100 mil pessoas, tem um site (http://makezine.com/) com loja, blog etc alavancando e catalizando este movimento.
  • Redução do custo de entrada na manufatura para algo próximo do que existe para a criação de sites.
  • A geração atual de impressoras 3D tem que ser comparada com a primeira  geração de impressoras a laser
laserw1985 – LaserWriter – US$ 7.000 – 300Dpi hp-atual2012 – HP1102w – US$ 160,00 – 1200 Dpi
makerbot2012 – MakerBot Replicator 2 – US$ 2.200,00

O que vai acontecer 27 anos depois?

  • A impressora a laser revolucionou o mercado de publicações, permitindo a qualquer pessoa ter um impresso de qualidade gráfica. Foi o início da indústria de Desktop Publishing.
  • Você não precisa mais deter os meios de produção, você pode alugá-los.
  • Início de uma indústria que permite você imprimir produtos via Internet. Se você tiver um cartão de crédito, terá acesso a impressoras 3D de altíssima qualidade ou imprimindo em materiais [ainda] não acessíveis para o grande público – Ponoko, Imprima 3D (BR)
  • Importância do Design – Facilitando a produção, o diferencial reside no Design. Tem que ensinar a usar as ferramentas e como se diferenciar ensinando Design. Tem que ensinar ajudar a popularizar estas novas ferramentas.
  • Estas técnicas permitem a produção de lotes personalizados ou individuais. Prototipação e depois se necessário e o mercado responder, massificação usando meios de produção mais tradicionais.
  • Impressão 3D hoje não permite competitividade para larga escala, mas permite que cada peça única seja feita.
  • A indústria de PC’s atual foi originada no Homebrew Computer Club, quais indústrias podem ser criadas ou reinventadas agora?
  • 3D Robotics – de uma rede social no Ning até uma indústria de US$ 5 milhões em 2 anos. Markup de 2,3x
  • “give away the bits, sell the atoms”
  • Open R&D usando a comunidade em volta do produto. Como remunerar os maiores colaboradores? Badges, dinheiro, produto etc. Location 1581 – Gráfico Hierarchy of Reward.
  • A única defesa neste modelo é um ecossistema que se auto-alimenta. Além disso não pode usar o mesmo nome [relativamente frágil]
  • Hazy – PhD Student – começou clonando, acabou colaborando no projeto principal.
  • Local Motors – constrói uma plataforma de carros que outros podem desenvolver melhorias. O sistema de desenho colaborativo ganhou a competição “Experimental Crowd-derived Combat Support Vehicle (XC2V)” do DARPA
  • Nova fábrica da Tesla Motors (inovadora fábrica de carros, com modelos puramente elétricos e uma rede de recarga gratuita baseada em energia solar) é altamente baseada em robôs flexíveis. Não existem máquinas especializadas. No começo da computação os computadores eram especializados, hoje são genéricos e mudam de comportamento baseado em software. Os robôs da fábrica não substituíram postos de trabalhos humanos, estes robôs permitiram construir uma fábrica competitiva abrindo novos postos de trabalho.
  • Ronald Coase – Empresas existem para minimizar custos de transação.
  • Bill Joy – “no matter who you are, most of the smartest people work for someone else” – para minimizar os custos de transação, não trabalhamos com os melhores.
  • Hayek – Conhecimento está distribuído de forma desigual e estruturas centralizadas de planejamento não conseguem capturar este conhecimento distribuído (free markets conseguem)
  • Friedman – NYT – “It used to be that only cheap foreign manual labor was easily available; now cheap foreign genius is easily available”
  • BGC custo liquido de manufatura na China deve equiparar com os EUA em 2015.
  • Custo do trabalho na indústria automotiva – 15%
  • Com aumento da automação o custo de mão de obra diminui de importância em relação a proximidade do consumidor, transporte, flexibilidade, qualidade e confiança.
  • SFMade – San Francisco Made
  • Dependendo da escala pode fazer sentido produzir na china ou nos EUA – Location: 2288
  • Sparkfun – US$ 30 milhões – 50% crescimento/ano – Boulder – kits eletrônicos
  • Desktop Jellyfish Tank, aquários para aguas vivas – US$ 3.000 como objetivo no KickStarter. Em 30 dias levantou US$ 130.000 de 330 pessoas.
  • Pebble, relógio integrado com smartphone – US$ 100.000 como objetivo no KickStarter. Em 3 semanas arrecadaram US$ 10 milhões com o pedido de 85.000 relógios. Durante o processo de 3 semanas a equipe modificou o relógio de acordo com o feedback da comunidade adicionando bluetooth 4.0, a prova de agua etc.
  • TikTok+LunaTik – pulseira para transformar o ipod nano em um relógio de um ex-diretor criativo da Nike. Levantou US$ 1 milhao no KickStarter.  Já entregou mais de 20.000 pulseiras.
  • JOBS Jumpstart Our Business Startups – crowdfunding para participação em empresas. Será regulado pelo SEC. Em processo de estudo / aprovação.
  • Quirky – Designers submetem idéias de produtos que a Quirky fabrica e compartilha os royalties. O designer tem uma idéia mas não sabe produzir para colocar no KickStarter. A comunidade vota os produtos que devem ser produzidos. (crowdsourced market research) A Quircky tem acordos com lojas como Bath, Bed and Beyond etc. Toda semana entra dois produtos em produção.
  • Etsy –  US$ 65 milhões/mês, 300 funcionários. Site de venda de artesenato de altíssima qualidade.
  • BrickArms – Lego não fabrica armas para os seus brinquedos. Os filhos de Will Chapman queriam reproduzir uma batalha da segunda guerra mundial. Ele foi na oficina com uma máquina de CNC, criou os moldes e injetou os brinquedos para os fihos. Virou um negócio e a própria Lego instruiu como deixar os brinquedos mais seguros (ex: furos para evitar sufocamento no caso da criança engolir). Em 2008 ele deixou o emprego e toca somente a BrickArms. Fabrica tudo nos EUA, pois tem certeza que se mandar os moldes para serem injetados na China, será roubado (irão usar os moldes para fabricar itens adicionais e colocar no mercado). Ele atende um mercado que a Lego não quer (política) ou não pode (volume) atender, aumentando o valor do ecossistema Lego. Long tail da Lego. O acesso a uma máquina de CNC de US$ 1.000,00 mais a web para vender permitiu a criação desta empresa que talvez não pudesse existir a 10 anos atrás.
  • Square – empresa de pagamentos – Início em Maio/2010, processa US$ 10 bilhões em pagamentos por ano. O dispositivo Square foi prototipado em uma TechShop. O sócio McKelvey realizou a prototipação pessoalmente para entender o processo de fabricação, prós e contras antes de terceirizar para larga escala.
  • MFG.com – Sistema de procurement para indústria. Você envia o RFQ (Request for Quote) com os arquivos de engenharia  e as empresas concorrem para fabricar o seu produto ou protótipo. A Blue Origin (empresa aeroespacial de Jeff Bezos, dono da Amazon), usou o serviço, gostou, trouxe o Bezos para analisar que comprou uma participação dois meses antes da Dassault. 200.000 membros, 50 países, 115 bilhões transacionados / ano.
  • Shanzai – bandit – “um fabricante ou comerciante que opera um negócio sem observar as regras ou práticas tradicionais normalmente resultando em produtos ou modelos de negócios inovadoras e incomuns”. Fazem 250 milhões de celulares por ano, cópias de iPhones ou Androids. São os fornecedores dos celulares com dois ou três chips. http://en.wikipedia.org/wiki/Shanzhai
  • DIY Bio – a próxima fronteira é biotech
  • Where Will the Jobs Come From?  – Renascença da manufatura nos EUA

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  • O tipo de solda que é feito nos estados unidos precisa de conhecimento de matemática – soldador é STEM (Science Techonology, Engineering, Math) hoje.
  • Existe uma aposta no aumento da produtividade da manufatura, em um movimento semelhante a da agricultura nos EUA
  • Foxconn na China já está migrando de gente para robôs. – http://news.cnet.com/8301-1001_3-57549450-92/foxconn-reportedly-installing-robots-to-replace-workers/?part=rss&subj=news&tag=title
  • That is not to say college education will not be useful, but it is increasingly going to have to be an education that has a focus and goal of a marketable skill.
  • NASA planeja imprimir partes do próximo foguete pode incentivar tendência de manufatura.
  • http://labdegaragem.com/ – começa a se formar uma rede de fornecedores no Brasil, com a idéia de laboratório de garagem.
  • MakerShow – marketplace de fábricas – http://makersrow.com/ – mais focada na indústria de confecção.
  • Indiegogo – semelhante ao KickStarter – http://www.indiegogo.com/spuni
  • http://printrbot.com – impressora 3D – 350 dólareshttp://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=why-3d-printing-matters – Matéria na Scientific American – Aposta do governo dos EUA neste movimento – Why 3D Printing Matters for ‘Made in USA’ – The federal government plans to increase funding to institutions researching 3D printing, a technology the White House hopes will boost U.S. manufacturing

Para que servem os economistas?

Eu gosto de gente sincera e de papers que questionem o pensamento corrente de dentro do próprio pensamento corrente. Leiam isso

“We believe that economics has been trapped in a sub-optimal equilibrium in which much of its research efforts are not directed towards the most prevalent needs of society. Paradoxically self-reinforcing feedback effects within the profession may have led to the dominance of a paradigm that has no solid methodological basis and whose empirical performance is, to say the least, modest. Defining away the most prevalent economic problems of modern economies and failing to communicate the limitations and assumptions of its popular models, the economics profession bears some responsibility for the current crisis. It has failed in its duty to society to provide as much insight as possible into the workings of the economy and in providing warnings about the tools it created. It has also been reluctant to emphasize the limitations of its analysis. We believe that the failure to even envisage the current problems of the worldwide financial system and the inability of standard macro and finance models to provide any insight into ongoing events make a strong case for a major reorientation in these areas and a reconsideration of their basic premises.”

Em resumo. Para que serve este pessoal de economia que trabalha com modelos falhos, não pesquisa o que importa e não tem um registro de sucesso razoável? Para que servem estes economistas?

The Financial Crisis and the Systemic Failure of Academic Economics, by David Colander, Hans Föllmer, Armin Haas, Michael Goldberg, Katarina Juselius, Alan Kirman, and Thomas Lux

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Um outro ponto de vista do Fernando Blanco

Power to the people – Shanzai

Uma vez escrevi um texto chamado Power to the people (aqui). Nele comento a queda no valor dos meios de produção, permitindo uma nova classe de trabalhadores criativos.

Vi hoje no blog do Bunnie (já comentei dele antes aqui em uma coluna para o Forum PC´s) uma matéria sobre um movimento na China chamado Shanzai. Eles são rebeldes, individualistas, underground e auto-empregados. São eles que fazem estes celulares com dois sim-cards, celular com TV, cópias de iPhone etc etc etc. Grupos de algumas dezenas até algumas centenas. Alguns altamente especializados em pontos específicos da cadeia de produção. Um grupo de 250 produz 200.000 celulares/mês com um grande mix na produção (Toyota rulez)

Leia a matéria, eu sempre me perguntei a origem destes eletrônicos sui generis que vemos em locais como Santa Ifigenia, 25 de Março, Feiraguai etc. A parte mais importante e interessante da matéria é:

“I always had a theory that at some point, the amount of knowledge and the scale of the markets in the area would reach a critical mass where the Chinese would stop being simply workers or copiers, and would take control of their own destiny and become creators and ultimately innovation leaders.”

A china alcançou uma massa crítica de conhecimento, acesso a meios de produção, oferta de mão de obra, conhecimento e matéria prima que permite iniciativas como esta. Se o caldo de cultura estiver correto, o próximo silicon valley pode aparecer lá.

Leia o posto do Bunnie em  Tech Trend: Shanzai. Leia os comentários, veja a discussão de Bunnie com outras pessoas sobre o modo de produção (fábrica no andar superior, loja no térreo), custos de produção etc.

Veja mais ChinaTology, parece que a Wired vai sair com uma matéria sobre o assunto.

me too OR NOT me too???…

Este foi um título de uma mensagem de Silvio Meira em uma lista da Sociedade Brasileira de Computação. Em uma excelente provocação que questiona se a gente sempre vai ficar esperando um modelo de fora (que muitas vezes não funciona) ou se a gente vai inovar (não dizem que brasileiro é criativo?) em modelos de gestão, politicas públicas etc.

Quando o Sr. Bautista Vidal ajudou a conceber o Pró-Alcool, ele não se baseou em nenhum modelo estrangeiro. Ele simplesmente fez uma análise da nossa realidade e propôs algo adequado ao nosso país.

Quando Edmar Bacha, Persio Arida e André Lara Resende (entre outros) criaram as bases do Plano Real, eles tiveram como partida uma tese de doutorado brasileira feito no MIT que identificou uma das características únicas na nossa inflação (inflação inercial) e criou a moeda intermediária (URV) para eliminar esta característica do processo. O plano que eles criaram, NÁO TEVE AVAL DO FMI!. Se a gente ficasse esperando um modelo, uma autorização, talvez ainda estivéssemos com as taxas inflacionárias daquele período.

O que eu pergunto é: porquê este sentimento de segunda categoria (complexo de vira lata) que não nos permite tomar a iniciativa e ousar algo diferente? porquê sempre procurar um modelo para cópia (e não como referência) externa?

Semana passada estava apresentando uma proposta. Ao final alguem perguntou “aonde no mundo já se fez algo semelhante?”. A minha resposta foi: “a proposta não é válida ou você está procurando um conforto na tomada de uma decisão difícil?”

Segue o texto original do silvio meira:

concordo e assino embaixo do que o palazzo disse.
o brasil tem MANIA de ME TOO.

*vou fazer mais do mesmo que todo mundo faz*.
e ai, neste caso, seguir gente grande e ROUBADA. sempre.
o negocio, como se sabe, NAO e ir ATRAS da bola, mas correr pra onde a bola VAI ESTAR. perguntem a quem sabe jogar. me too e ATRAS da bola…

como a gente faz, como pais, quando tenta implementar POLITICAS de paises mais ricos/sofisticados com uma DECADA ou mais de atraso… quando as vezes elas NEM DERAM CERTO por la.

e PRECISO INOVAR. inovacao e a UNICA fonte de aumento SUSTENTADO de COMPETITIVIDADE. ta cheio de gente chegando, recem-doutor, num lugar qualquer e querendo montar SEU laboratorio, exatamente como tinha na sua instituicao de doutoramento, pra continuar *publicando* na *sua* area. mais do mesmo é isso aí mesmo. e ai sempre se vai muito perto. muito mais perto do que se poderia ir.

precisamos OLHAR, VER, ESCUTAR, OUVIR e ENTENDER o contexto. como os 500 milhoes de reais pra inovacao nas EMPRESAS so este ano, na finep, a fundo perdido, no edital de subvencao. UM PAIS MUDANDO ao nosso REDOR. e a gente querendo fazer MAIS DO MESMO. ano que vem tem mais. muito mais. fala-se em 700M.

me too, tambem, é tipo mais de uma duzia de candidatos pra tres vagas no CIN/UFPE. legal pro cin, pode escolher MUITO bem. mas é mais do mesmo.

cade as propostas revolucionarias, de centros inovadores, em INFORMATICA PRO AGRONEGOCIO, pais afora? quantos de nos ja rodaram mato grosso de CARRO, pra sentir o tamanho da demanda?… [so pra dar um exemplo?…]

movamo-nos. sempre e tempo. tempus fugit. ao ives de reclamar da FORMA dos concursos, CARPE DIEM. inventemo-nos. vamos criar um OUTRO mundo, se o que ai esta NAO nos serve. e… [como diz palazzo -e a minha vó amara] YES, we CAN!

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